

«Na África Ocidental, tal como em muitas outras regiões do mundo, as questões relacionadas com o abuso de substâncias continuam a ser complexas e estão em constante evolução.»
Esta foi a observação feita pela Comissária para o Desenvolvimento Humano e Assuntos Sociais da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Prof.ª Fatou Sow Sarr, na terça-feira, 11 de agosto de 2026, em Lagos, na Nigéria, na abertura do workshop de reforço de capacidades organizado pela Rede Nigeriana de Epidemiologia sobre o Consumo de Drogas (NENDU).
Segundo a Sra. Fatou Sow Sarr, representada pelo Chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Drogas da Comissão, o Dr. Daniel Amankwaah, esta natureza complexa e em constante mudança exige um acompanhamento contínuo das tendências emergentes, a fim de permitir a adoção de medidas adequadas.
O Dr. Daniel Amankwaah apelou aos Estados-Membros da CEDEAO para que criassem um sistema de monitorização da dimensão, das características e das tendências da oferta e da procura de drogas, bem como das respostas nacionais e regionais à situação.
Salientou ainda a necessidade de uma colaboração coordenada entre os setores da saúde e das forças de ordem, com uma abordagem centrada na saúde pública. Segundo ele, tal permitiria a criação de mecanismos nacionais capazes tanto de avaliar as especificidades locais como de definir claramente os tipos de respostas necessárias para abordar a questão do consumo de drogas de forma abrangente, atacando tanto a oferta como a procura.
«Para abordar o problema da droga de forma abrangente, é essencial dispor de dados fiáveis e atualizados que orientem políticas e programas baseados em evidências; sem isso, as nossas intervenções correm o risco de se manterem meramente reativas, em vez de proativas», afirmou o Dr. Daniel Amankwaah.
Recordou a criação, pela Comissão da CEDEAO em 2013, da Rede da África Ocidental para a Epidemiologia do Consumo de Drogas (WENDU). Esta rede, sublinhou ele, funciona como um mecanismo regional para a recolha, análise e divulgação de dados sobre o consumo de drogas e questões relacionadas nos Estados-Membros da organização regional.
A par das atividades da WENDU a nível regional, é de salientar que cada um destes Estados dispõe da sua própria rede local de epidemiologia do consumo de drogas. Na Nigéria, trata-se da Rede Nigeriana de Epidemiologia do Consumo de Drogas (NENDU), criada para melhorar a recolha, a análise e a comunicação de dados.
Este workshop de três (3) dias foi organizado para os pontos focais da NENDU, profissionais do Ministério Federal da Saúde e do Bem-Estar Social da Nigéria e outras partes interessadas fundamentais responsáveis pela recolha de dados sobre drogas, representando todas as zonas geopolíticas da Nigéria.
O seu principal objetivo é reforçar as capacidades técnicas dos participantes, de modo a garantir que elaborem relatórios de elevada qualidade sobre o consumo de drogas; estes relatórios apoiam o desenvolvimento de políticas e intervenções baseadas em evidências para a prevenção e o controlo do consumo de drogas nos Estados-Membros da CEDEAO.
Entre 2014 e 2024, a Comissão da CEDEAO publicou cinco relatórios WENDU, e o relatório de 2025, que já foi validado pelos pontos focais dos Estados-Membros da organização regional, será finalizado em breve.
«A Comissão da CEDEAO atribui grande importância à fiabilidade dos dados sobre drogas na região; irá apoiar os seus Estados-Membros para que possam fornecer dados de elevada qualidade, que constituirão a base do relatório regional anual. O relatório WENDU é também publicado a nível mundial», afirmou o Dr. Daniel Amankwaah.
Reafirmou o compromisso da Comissão de continuar a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar os Estados-Membros da CEDEAO a desempenharem eficazmente o seu papel na luta contra o flagelo das drogas. «Unindo forças, seremos bem-sucedidos», concluiu.
Por seu lado, a Dra. Amina Z. Kazaure, diretora do Departamento de Serviços Hospitalares do Ministério Federal da Saúde e Bem-Estar Social da Nigéria, expressou a sua gratidão à Comissão da CEDEAO pela sua parceria e apoio contínuos, destinados a reforçar a prevenção, o tratamento e a reabilitação no que diz respeito ao consumo de drogas no seu país e no resto da região da CEDEAO.
Quanto à diretora da Divisão de Narcóticos e Abuso de Drogas do mesmo ministério, a Sra. Henrietta Bakura-Onyeneke, instou os participantes a identificarem desafios comuns relacionados com a comunicação de dados e a desenvolverem em conjunto soluções práticas e planos de ação para melhorar a comunicação de dados da NENDU.
«Temos de ir além da mera recolha de dados, que é frequentemente vista como uma obrigação de comunicação de rotina, e reconhecê-la como uma função essencial de saúde pública, que facilita a identificação precoce de tendências emergentes, a priorização de recursos e o desenvolvimento de intervenções baseadas em evidências», recomendou ela.
É de salientar que, durante o workshop, os participantes assistiram a um vídeo sobre as consequências sociais, sanitárias e económicas do consumo de drogas na região da CEDEAO.
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