A CEDEAO LANÇA INICIATIVA DE ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA PARA REFUGIADOS E PESSOAS DESLOCADAS NO SENEGAL
05 Feb, 2026A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) lançou uma iniciativa de assistência humanitária no Senegal para apoiar refugiados, pessoas deslocadas internamente (PDI), apátridas e requerentes de asilo, reafirmando o compromisso da região com a dignidade humana, a solidariedade e o desenvolvimento inclusivo.
A cerimónia de lançamento teve lugar em Dakar, no Senegal, a 29 de janeiro de 2026, e reuniu altos funcionários do Governo do Senegal, representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), funcionários da CEDEAO, parceiros de desenvolvimento e membros das comunidades deslocadas da Casamance, juntamente com refugiados mauritanos que vivem no vale do rio Senegal.
Com um orçamento de 313 083 755 CFA e um período de implementação de nove meses, o projeto será implementado com o apoio técnico do Gabinete Multinacional do ACNUR em Dakar, em parceria com a Fundação Green Village Senegal. Um comité diretor dedicado e mecanismos robustos de monitorização e avaliação garantirão uma governação eficaz, refletindo o compromisso comum da CEDEAO e dos seus parceiros com a solidariedade, a autossuficiência e o desenvolvimento a longo prazo em toda a África Ocidental.
A iniciativa prestará assistência humanitária vital, promovendo simultaneamente meios de subsistência sustentáveis para as populações vulneráveis. Num contexto de conflitos, alterações climáticas, catástrofes, emergências sanitárias e pressões económicas em toda a região, o programa procura aliviar a pressão sobre as comunidades de acolhimento, promover a coexistência pacífica e reforçar as capacidades nacionais para soluções inclusivas e duradouras.
Falando em nome do Presidente da Comissão da CEDEAO, S. Ex.ª Dr. Omar Alieu Touray, a Comissária para o Desenvolvimento Humano e Assuntos Sociais, Prof.ª Fatou Sow Sarr, destacou o papel da iniciativa em complementar os esforços do Senegal para proteger e ajudar as populações deslocadas. Descreveu o Senegal como um símbolo de hospitalidade e solidariedade regional, observando que o programa vai além da ajuda humanitária para apoiar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento a longo prazo.
Em representação dos refugiados e requerentes de asilo, o Sr. Lambert Koliti, Presidente da Associação de Refugiados no Senegal, enfatizou a necessidade de melhorar o acesso à educação, formação profissional, cuidados de saúde e proteção social, ao mesmo tempo que reafirmou o compromisso dos refugiados com a paz, a coesão social e o desenvolvimento nacional.
No seu discurso de boas-vindas, o Sr. Henri Serge Atsomautsy, representante do Gabinete Multipaíses do ACNUR no Senegal, descreveu a iniciativa como um símbolo de esperança para as comunidades de refugiados e requerentes de asilo. Ele observou que, por meio de uma abordagem multissetorial, o programa ampliará o acesso à educação, meios de subsistência, cuidados de saúde, formação profissional e assistência social, permitindo que as famílias reconstruam suas vidas com dignidade e contribuam para as comunidades de acolhimento. Ele também elogiou a liderança do Senegal na proteção aos refugiados, citando seus compromissos no âmbito do Fórum Global sobre Refugiados de 2023 e a adoção da Lei nº 21/2021, que moderniza o sistema nacional de asilo e o alinha às normas regionais e internacionais, ao mesmo tempo em que responde aos retornos voluntários da Gâmbia e da Guiné-Bissau.
Falando em nome do vice-almirante Oumar Wade, chefe de gabinete do presidente e presidente do CNRRPD, o coronel Ahmadou Moussa N’Dri destacou que o projeto visa melhorar de forma sustentável as condições socioeconómicas dos refugiados, apoiando simultaneamente o reassentamento das populações deslocadas da Casamance nas suas comunidades de origem. Ao promover atividades geradoras de rendimento e expandir as oportunidades educativas para os jovens, a iniciativa visa proporcionar benefícios tangíveis e duradouros.
«Para além do apoio financeiro, esta iniciativa representa um compromisso comum com a cooperação, a responsabilidade e o desenvolvimento a longo prazo, afirmando que os refugiados e os repatriados não são meros beneficiários da ajuda, mas contribuintes ativos para o progresso económico e social», acrescentou.
O lançamento marca um compromisso renovado da CEDEAO e dos seus parceiros em proteger os mais vulneráveis, promover a autossuficiência e reforçar os valores comuns de solidariedade e responsabilidade coletiva em toda a África Ocidental.