

No dia 25 de julho de 2025, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) celebrou o seu 50.º aniversário com um evento de alto nível na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, sob o tema: “Unidos por um futuro melhor: promover o regionalismo e o multilateralismo para uma prosperidade partilhada”.
Realizado na sala do ECOSOC, o encontro reuniu altos responsáveis das Nações Unidas, dirigentes da CEDEAO, representantes diplomáticos e parceiros estratégicos, num momento de reflexão sobre cinco décadas de integração regional, consolidação da paz e desenvolvimento, com vista a projetar o futuro da África Ocidental num mundo em transformação.
O evento foi organizado pela Missão Permanente de Observação da CEDEAO junto das Nações Unidas, em estreita colaboração com o Grupo dos Embaixadores da CEDEAO na ONU.
Na sua intervenção de abertura, a Embaixadora Kinza Jawara-Njai, Observadora Permanente da CEDEAO junto das Nações Unidas, destacou o papel central da organização na promoção da coesão regional, do desenvolvimento sustentável e da paz. Sublinhou ainda o simbolismo de celebrar o Jubileu de Ouro no seio das Nações Unidas, reafirmando o compromisso da CEDEAO com o multilateralismo e as parcerias internacionais.
Por sua vez, S.E. Damtien L. Tchintchibidja, Vice-Presidente da Comissão da CEDEAO, destacou a evolução da Comunidade, que passou de um bloco económico para uma organização multidimensional comprometida com a paz, a governação democrática e o desenvolvimento humano. Reforçou a relevância da Visão 2050 da CEDEAO e reiterou o empenho da Comissão em aprofundar a cooperação com os seus parceiros, em prol de uma África Ocidental pacífica, centrada nos cidadãos e próspera.
O discurso principal foi proferido por S.E. Dr. Abdel-Fatau Musah, Comissário para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança, que apresentou uma análise abrangente dos desafios regionais e das respostas estratégicas da CEDEAO no combate ao terrorismo e na promoção da integração. Destacou, entre outros pontos, a operacionalização da Força Regional de Reação Rápida contra o Terrorismo e o processo de introspeção cidadã em curso, que culminará na adoção de um Pacto para o Futuro da Integração Regional.
Um dos momentos mais simbólicos do evento foi a mensagem vídeo de S.E. General Dr. Yakubu Gowon (reformado), antigo Presidente da República Federal da Nigéria e último pai fundador vivo da CEDEAO. Numa intervenção comovente, recordou o espírito visionário e o contexto histórico que estiveram na origem da organização em 1975. Sublinhou os valores de solidariedade, cooperação e desenvolvimento partilhado:
“O sonho da CEDEAO nasceu de uma convicção profunda: só a unidade regional permitirá aos nossos povos superar o peso da fragmentação colonial e construir um futuro de paz, prosperidade e orgulho. É com grande satisfação que vejo, após cinco décadas, que a CEDEAO continua a ser um símbolo de esperança, apesar das muitas provações atravessadas.”
O General Gowon apelou aos líderes atuais e aos cidadãos para que preservem e reforcem os alicerces da integração regional, encorajando em particular a juventude da África Ocidental e da diáspora a dar continuidade a este legado histórico.
O evento contou ainda com intervenções de alto nível, nomeadamente:
A cerimónia contou ainda com forte representação da sociedade civil, da academia e de representações diplomáticas, incluindo a intervenção da Professora Rita “Kiki” Edozie, especialista em assuntos africanos na Universidade de Massachusetts Boston, bem como de vários membros do Grupo de Embaixadores da CEDEAO.
Esta comemoração do Jubileu de Ouro representou mais do que uma celebração do passado — foi um momento de renovação estratégica e de compromisso coletivo com o futuro. As reflexões partilhadas durante o evento em Nova Iorque irão alimentar as consultas regionais em curso por toda a África Ocidental, que culminarão numa Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, prevista para mais tarde este ano.
Descubra como a CEDEAO está a transformar as comunidades, as economias e a vida dos cidadãos da África Ocidental, através de cada história.