A CEDEAO REALIZOU UMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DOS MINISTROS DA AGRICULTURA SOBRE O IMPACTO DA CRISE INTERNACIONAL NA SEGURANÇA ALIMENTAR NA ÁFRICA OCIDENTAL E NO SAHEL
23 Mar, 2026A Comissão da CEDEAO, através do seu departamento para os Assuntos Económicos e a Agricultura dirigido pelo comissário Kalilou Sylla, em cooperação com a União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) e o Comité Inter-Estatal Permanente para o Controlo da Seca no Sahel (CILSS), organizou, em 23 de março de 2026, uma reunião extraordinária dos Ministros da Agricultura da CEDEAO sobre o impacto da crise internacional e da subida dos preços do petróleo no setor dos fertilizantes e na segurança alimentar na África Ocidental e no Sahel.
O encontro, que reuniu os ministros da Agricultura da CEDEAO, agências regionais, parceiros técnicos e financeiros, resultou na proposta de um quadro operacional a longo e médio prazo para salvaguardar a soberania e a segurança alimentares na África Ocidental.
Estas medidas centram-se na assinatura de acordos-quadro regionais imediatos para garantir volumes estratégicos e constituir reservas de emergência antes de os preços subirem acentuadamente, bem como na implementação de linhas de swap de liquidez através dos bancos centrais para fazer face à escassez de divisas dos importadores.
Durante o seu discurso de abertura, Sua Excelência o Sr. Kalilou Sylla salientou igualmente a situação de emergência que a região enfrenta devido ao impacto da guerra entre os Estados Unidos e os países do Médio Oriente nos sistemas de produção alimentar, na véspera das principais épocas de sementeira. Reiterou ainda a necessidade de uma tomada de decisões estratégicas imediata por parte dos Estados-Membros da CEDEAO.
«Estamos perante uma vulnerabilidade estrutural que já não podemos ignorar. Os nossos sistemas agrícolas já sofrem de uma degradação alarmante, com mais de dois terços das nossas terras empobrecidas em nutrientes. Os especialistas apontam para uma «tripla ameaça» que está a sufocar os nossos agricultores: a subida vertiginosa dos preços relacionados com o gás, a escassez aguda de divisas e a degradação do solo, que torna estes fatores de produção menos eficazes.
Temos de aprender com as crises recentes. Durante a pandemia da COVID-19 e no início da guerra na Ucrânia, o preço médio dos fertilizantes subiu de 256 para 941 dólares por tonelada. Aprendemos da maneira mais difícil que as respostas reativas e isoladas falham. Aumentam a carga fiscal sobre os governos sem proteger os agricultores. A história mostra-nos que apenas…», afirmou.
Presidindo à sessão, o Ministro da Agricultura da República da Serra Leoa, Sua Excelência o Dr. Henry Musa Kpaka, deu o alarme no seu discurso de abertura. Com efeito, o Dr. Kpaka recordou aos vários ministros presentes a extrema gravidade da situação que os tinha reunido, as suas responsabilidades partilhadas na mitigação dos efeitos desta crise e a necessidade de desenvolver uma resposta unificada e concreta.
Salientou ainda que, face ao rápido aumento dos preços dos fertilizantes, é crucial reforçar a resiliência regional e estabelecer um mecanismo de abastecimento sustentável. Esta crise representa uma oportunidade para mudar paradigmas e explorar soluções inovadoras.
«Enquanto líderes responsáveis pelas políticas agrícolas dos nossos países, a responsabilidade de mitigar os efeitos da crise recai inteiramente sobre nós. Não podemos limitar-nos a esperar que os mercados internacionais se corrijam por si próprios. Temos de garantir a nossa própria resiliência regional», acrescentou.
Na mesma linha, os ministros da Agricultura dos vários Estados-Membros presentes elogiaram a Comissão da CEDEAO pela sua ação e esforços imediatos e reiteraram a necessidade imperiosa de alinhar as várias estratégias nacionais com a estratégia regional global, a fim de garantir uma resposta coerente e unificada.